10% da temporada já aconteceu — como os jogadores que saíram do time estão jogando?

O saudosismo é inevitável. Maldito Breslow, por sua causa, o Red Sox está com essa campanha pífia. Maldito Henry, abre a carteira para montar um time de respeito. Se tivéssemos mantido A, B ou C no time, nossas meias vermelhas estariam no topo da divisão.

Entre junho de 2025 e fevereiro de 2026, a franquia mandou embora nomes como Rafael Devers, Alex Bregman, Kyle Harrison, Richard Fitts, Jordan Hicks e Shane Drohan — movimentos que enfraqueceram os prospectos e diminuíram o poderio ofensivo em troca de uma defesa melhor e arremessadores de elite. Com 10% da temporada já nos livros, o ataque vem comprovando os temores e a defesa não vem entregando o prometido.

Mas o quanto esse sentimento é verdadeiro? Vamos explorar como estão nossos antigos amores em seus novos times — e como o GM endereçou os buracos deixados pelas suas saídas.

A TERCEIRA BASE

Devers foi o mais doloroso pela forma: a diretoria criou o problema, assinou Bregman para resolver, e acabou perdendo os dois. Durbin é a solução para a terceira base de 2026.

No papel, estamos falando de: em um ano, perdemos dois All-Stars — um bastão dos mais potentes do mundo e outro veterano, tido como grande líder e luva de ouro. No lugar, um prospecto draftado na 14ª rodada com apenas 1 ano de experiência na liga.

Por 1/25avos do valor, Durbin vem entregando a mesma qualidade que a Lhama ou o Traidor. Não que isso represente que devemos estar felizes — os três vêm com atuações pífias no início de temporada. Durbin ainda não se encontrou no bastão, mas ao menos vem sendo uma opção sólida na defesa.

▶  Conclusão: claramente estrondamos na terceira base. Resta saber se Durbin vai encontrar o bastão ou se esta posição vai continuar sendo um buraco ofensivo.

A ROTAÇÃO

A comparação aqui é nuançada. Trouxemos experiência para a rotação ao abrir mão de prospectos prontos para as grandes ligas.

Quem saiu

Kyle Harrison é o nome que vai machucar por anos. Neste início de temporada, está empatando com CC Sabathia em strikeouts nas primeiras duas partidas pelos Brewers, com ERA de 3,07.

Shane Drohan teve um momento digno de roteiro: estreou na MLB no Fenway Park, contra o Red Sox, em 8 de abril. Durou 2⅔ innings, tomou 3 runs e 4 walks — mas ao menos conseguiu o primeiro strikeout da carreira contra Caleb Durbin. Simbólico demais.

Dustin May é para dar raiva. Vinha tendo uma temporada horrenda até fazer sua terceira partida — justamente contra o Red Sox. Num enredo de vingança e torta na cara, calou nosso ataque.

Walker Buehler: ao contrário do May, seu duelo contra o Red Sox foi ótimo… para nós. Em compensação, seu terceiro jogo da temporada foi uma grata decepção para a torcida adversária — um shutout limpo. O cara passou por Boston, foi dispensado, assinou contrato de liga menor com os Phillies, depois com o Padres — e está de volta à rotação por US$1,5M. A vida dá voltas, as meias vermelhas às vezes ajudam a impulsionar.

Lucas Giolito: o coitado ainda não conseguiu assinar contrato com ninguém. Após um ano decente de recuperação em Boston, caiu no non-tender e está esperando o telefone tocar.

Quem veio

Sonny Gray e Ranger Suárez chegaram como a espinha dorsal da rotação. Gray está bem — 0.98 WHIP, FIP 2.76 —, Suárez não tanto por enquanto, mas tem talento de sobra para reverter.

* Drohan (1 partida curta) e Oviedo (1 partida de relevo seguida de lesão) omitidos da tabela por amostra insuficiente para comparação justa. Na prática, eles se anulam.

No papel: saíram veteranos fracos e um prospecto que não havia estourado como prometido; no lugar, trouxemos dois abridores de respeito.

▶  Conclusão: claramente estrondamos (no papel). Harrison está mandando bem no novo time e Suárez teve dois primeiros jogos abaixo do esperado — mas há talento de sobra para reverter. O custo foi real: perda de draft, folha salarial mais pesada e um Kyle Harrison que hoje veste verde e amarelo.

A PRIMEIRA BASE

Com a contusão de Casas, o time precisou improvisar em 2025. Sem certeza sobre a recuperação para 2026, Breslow decidiu trazer um nome decisivo para os próximos anos.

▶  Conclusão: estrondamos — com alto custo. Contreras vem sendo excelente, trazendo tanto estatística quanto garra ao jogo. Lowe não faz falta.

MAS POR QUE NÃO ESTAMOS GANHANDO?

Espera. Quer dizer que o time sem camisa não está tão bem assim? Pois é, minha gente. Os grandes nomes que deixamos sair em 2025 e na pós-temporada não estão entregando bem. Se formos levar em conta apenas os números, posso afirmar que o time está melhor agora do que estaria com esses ex-meias vermelhas.

Confesso que omiti um nome até agora — porque ninguém nunca o menciona quando reclama da atuação do time em 2026.

Steve Matz.

Lembra dele? Está lá em Tampa, por US$ 7,5 milhões, com WHIP abaixo de 1, FIP de 2,93 e 17 strikeouts em 3 jogos. WAR dele? 0.2. Quem diria, não?

Mas ignorando esse nome — como todos estão fazendo com sucesso até então —, o que explica o início de temporada ruim?

Campo externo, cadê você?

Como estávamos rindo à toa achando que tínhamos 5 nomes fantásticos — um ótimo problema para se ter. Corta para agora: Rafaela e Anthony com atuação defensiva fraca; Duran e Anthony com bastões dormentes. Nossa principal força em 2025 ainda não mostrou à que veio neste ano.

Segunda base medíocre

Entre Mayer, Kiner-Falefa e Monasterio, não há um bastão sólido de dia a dia. E enquanto Mayer não melhorar algum aspecto ofensivo seu — paciência, potência ou contato —, ele não será um nome confiável para garantir vitórias.

A mesma história com Story

Story começou o ano congelado. Embora já teve uma atuação ofensiva importante, a verdade é: -0,5 de WAR, o pior do time — e é o jogador com mais partidas pela equipe. No ano passado, sua virada de chave foi o que salvou a campanha. Este ano, parece estarmos dependentes de uma nova virada.

Bullpen instável

Essa história tem memórias similares do início de 2025. Já tivemos jogos entregues por quem deveria ser nossos nomes fortes: Chapman e Whitlock. Duas derrotas representam 20% de todo o tombo até agora — dá para sentir o peso.

Rotação instável

Até Crochet já teve um jogo para esquecer; Gray começou mal no primeiro jogo; Suárez entregou atuações ruins nos dois primeiros. O que era para ser nosso porto seguro foi, até o momento, uma bala de canhão nos sonhos. Mas sem desespero — já vimos jogos melhores de todos os três. Bello e Early vêm entregando jogos medianos e esperados para um #4 e #5. E ainda temos Tolle, Crawford e Sandoval como opções cheias de sangue nos olhos esperando sua oportunidade.

LINHA DE CHEGADA

Os dados dizem que as trocas, individualmente, não foram desastrosas. O problema é o conjunto: ofensiva anêmica, campo externo ainda dormindo e uma rotação que ainda não encontrou consistência. O saudosismo é compreensível — mas os números dos ex-meias vermelhas em 2026 não sustentam a tese de que estaríamos melhor com eles.

A temporada tem 90% ainda pela frente. E a fila anda — mesmo que devagar.

Mas se fosse uma pelada dos com camisa versus os sem camisa, posso garantir: o manto vermelho estaria ganhando.

Deixe um comentário

ÚLTIMOS ARTIGOS

FRASE DA SEMANA

“Beisebol é um jogo de erros. Quem comete menos erros, vence.”

~ Carl Yastrzemski