Em retrospecto, já era de se esperar a montanha-russa que foi o início da temporada. Cada série até agora oscilou entre alimentar o sonho dos Playoffs e nos mergulhar na lama do fiasco.
Vamos fazer um esforço de retrospectiva da nossa temporada até então para entender o que vem dando certo e o que vem dando ainda mais errado.
@ Texas Rangers – 1-3, 11 corridas anotadas 13 corridas cedidas
A ilusão de começar o ano com uma vitória foi rapidamente apagada após três derrotas seguidas em jogos em que a parte alta do ataque foi domada pelos arremessadores dos Rangers.
Vimos uma boa estreia do nosso Ace, Crochet, mas o grande nome do início da temporada foi Wilyer Abreu, que mandou um Home Run de 3 corridas na 9ª entrada.
A sequência de derrotas que veio a seguir foi marcada por várias coisas: um desempenho mediano dos abridores que, somado a um ataque incapaz de anotar corridas, culminou nos fãs desacreditados no time. Duran com dificuldades em chegar em base, Casas com desempenho pífio… O mais emblemático foi nosso DH Rafael Devers, sem conseguir rebatidas em 16 oportunidades e com 12 strikeouts, tornou-se o detentor do maior número de eliminações por strike nos quatro primeiros jogos. Recorde que só aumentou para 15 Ks em 5 jogos.
Mas nem tudo foi desespero. A atuação de Abreu e do estreante Kristian Campbell foram impressionantes. O primeiro fechou a série com 5 andadas e 7 rebatidas em 10 chances, empurrando 6 corridas (mais da metade do time). Campbell não ficou muito atrás, com 6 rebatidas em 14 chances e 2 andadas. Além disso, um bom trabalho de bullpen garantiu 3 jogos com placares apertados. Com esperanças de que as coisas fossem se acertar, partimos para Baltimore.
27/Mar – 5×2
28/Mar – 1×4
29/Mar – 3×4
30/Mar – 2×3
@Baltimore Orioles – 2-1, 16 corridas anotadas, 12 corridas cedidas.
Com Newcomb no montinho, acabamos a primeira entrada do primeiro jogo arrasados, cedendo 4 corridas e vendo a lei do ex acontecendo, com O’Neill empurrando a primeira delas e conseguindo 4 rebatidas ao longo do jogo. O enredo a partir daí fica meio estranho: Newcomb com um desempenho ainda bastante irregular, saindo na 4a entrada sem ceder mais corridas. O ataque conseguindo reaproximar o placar com 2 corridas em uma tripla de Duran na 2ª e mais uma corrida em uma eliminação de bola rasteira do Campbell que impulsionou Refsnyder na 3ª. A partir daí, vimos um jogo de bullpen e o ataque novamente não funcionando. Até que na 8ª entrada, 4 corridas do Orioles fecharam o caixão.
Se um ataque não funciona, só um ace para nos salvar. E ele veio. O segundo jogo viu uma atuação de gala de Crochet, com 8 entradas arremessadas e apenas 4 rebatidas, sem corrida cedida. Foi também onde Devers finalmente conseguiu sua primeira rebatida após 21 tentativas. Mas foi no terceiro jogo da série que vimos os bastões finalmente acordarem pra vida. Com 11 rebatidas, 2 andadas e 8 corridas, fechamos a primeira série contra um rival de divisão com vitória. Íamos para casa com a moral em ascensão.
31/Mar – 5×8
1/Abr – 3×0
2/Abr – 8×4
vs St. Louis Cardinals – 3-0, 36 corridas anotadas, 20 corridas cedidas
Embalados com a estreia em casa e as vitórias recentes, vimos nosso ataque explodir na série, que teve um dia de dois jogos após um dos confrontos ser adiado por chuva.
No primeiro jogo, se Buehler não foi bem e o bullpen tampouco, coube ao ataque acordar. Do rebatedor #1 ao #6, todos saíram do confronto com ao menos 2 rebatidas e, tirando Casas, todos empurraram ao menos 1 corrida.
Em ambos os jogos do doubleheader tivemos atuação ruim dos abridores. Se no primeiro Newcomb saiu com 4.2 entradas e forçou o uso de 5 relevos em um jogo que foi até a 10ª entrada, no segundo o estreante Dobbins completou apenas 5 entradas, deixando para Bernardido (1 entrada) Crisswell (3 entradas) fecharem a partida. No primeiro, um jogo apertado com 3 viradas no placar teve o primeiro HR de Devers no ano. No segundo, um massacre com 18 corridas selou a primeira varrida do ano e deu um gostinho de sucesso… que logo viraria amargor.
4/Abr – 13×9
6/Abr – 5×4 (primeiro jogo)
6/Abr – 18×7 (segundo jogo)
vs Toronto Blue Jays – 1-3, 8 corridas anotadas, 17 corridas cedidas
A explosão de nossos bastões rapidamente foi congelada pelo frio – literal e figurado – de Toronto. Com atuações muito boas dos abridores do rival de divisão, somado a uma atuação defensiva fraca – foram 6 erros na série – nossa confiança foi totalmente minada. Ainda perdemos nosso receptor titular por cerca de um mês logo na primeira partida, expondo nosso principal buraco de plantel.
Nos dois primeiros jogos, vimos os Blue Jays tomando a dianteira nas primeiras entradas e nosso time não conseguindo mais reagir. Se há um positivo a se tirar destes jogos é o desempenho de Story, com 3 rebatidas em 8 chances e progressivamente batendo melhor. De resto, começamos a ver Abreu e Campbell voltando a níveis humanos de desempenho. Red Sox teve chances reais de vencer na 10ª entrada, quando estava com corredor na 3ª e um eliminado, mas viu a vitória se esvair na 11ª com apenas a segunda corrida do jogo anotada pelo time de Toronto.
Um enredo similar veio no último jogo da série, onde tivemos o melhor desempenho até então de Buehler (6.1 entradas, 1 corrida cedida e 7 Ks). Apesar dos erros defensivos, o time teve um desempenho melhor no bastão, conseguindo sair na frente, empatar o jogo na 8ª e virar o jogo na 10ª para não sair de casa de mãos abanando.
7/Abr – 2×6
8/Abr – 1×6
9/Abr – 1×2
10/Abr – 4×3
@ Chicago White Sox
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Até o início da série, White Sox estava com 2 vitórias em 12 jogos. Um dos comentaristas do nosso time chegou a dizer que era uma excelente hora para enfrentarmos o White Sox. Não foi. Talvez tenha sido até pior para nossa moral.
O primeiro jogo foi um desastre. O pior dos últimos tempos – por muitos motivos:
- Chase Meidroth, prospecto envolvido na troca por Crochet, comeu o Red Sox com farinha na estreia. Chegou em base na 4 vezes que foi ao bastão. Uma vez por rebatida, outras 3 por andada, anotando 3 corridas
- 5 erros defensivos, sendo 2 interferências do receptor.
- Tomar 11 corridas de um adversário que perdeu 121 partidas no ano anterior.
- Anotar 1 corrida em um adversário que perdeu 74% das vezes no ano anterior.
E com o discurso do Cora de “bad day at the office”, fomos para o segundo jogo com algumas alterações na escalação. Em um jogo bem mais disputado, acompanhávamos uma ótima performance de Fitts no montinho até se machucar na 6ª entrada. Imediatamente sofremos o empate com um HR de duas corridas e fomos derrotados na 9ª entrada com a primeira corrida cedida por Chapman no ano.
Novamente, a responsabilidade de mudar nossa sorte caía nas mãos de Crochet, que conduziu um jogo perfeito até a 6ª entrada e um no Hitter até a 7ª. Saiu de campo ganhando por 2 corridas e quase viu sua vitória ser entregue ao adversário, com Whitlock cedendo duas rebatidas que acabaram anotando o corredor deixado por Crochet e ficando com jogadores na 2ª e 3ª com 1 eliminado.
Cora confiou no Relevo e o deixou para segurar o resultado e vermos Chapman conquistar seu 3º Save do ano, não sem antes vermos Story mandar um HR e deixar a vantagem em 2 novamente, o primeiro Home Run do time em 7 dias.
Fim de clima frio, o destino seguinte é Tampa Bay NY Rays.
11/Abr – 1×11
12/Abr – 2×3
10/Abr – 3×1
Olhando pra frente e para números
Há um ponto que o Red Sox está bem nesta temporada: roubo de bases. Atrás apenas do Cubs, temos 23 roubos em 26 oportunidades.
Também é interessante saber que o time é o 2º melhor em BABIP – aproveitamento no bastão quando a bola é rebatida. Ou seja, não fosse a alta quantidade de strikeouts, poderíamos estar com um ataque mais produtivo. O time é o 2º colocado em HardHit% com 45,3%, que significa que boa parte das rebatidas saem com velocidade de 95mph ou mais – e isso se traduz (ou deveria) em mais corredores em base e mais Home Runs.
O que está matando o time? RISP. Corredores que estiveram em posição de anotar corrida e não o fizeram. Nosso time é o 5º pior da liga, 4.18 corredores deixados em base por jogo. Também somos os 5º piores em AB/HR, quantos jogadores tem que ir ao bastão para vermos um Home Run. Mesmo considerando a rebatida do Story, estamos com 49.17 (basicamente, 1 HR a cada 2 jogos). Para fins de comparação, Los Angeles Angels (sim, Angels) é o líder nesta categoria com 17.17, seguido por Yankees e Dodgers com 18.04 e 19. Ainda vale mencionar nossa liderança (negativa) em Strikeouts, com 165
Olhando para estatísticas de arremesso, somos o 4º melhor em (não) ceder Home Runs e o 3º melhor em FIP, que se traduz em desempenho de nossos arremessadores se a defesa não influenciasse o jogo. Mas as demais estatísticas avançadas mostram um plantel mais mediano, com WHIP elevado (número de rebatidas e andadas cedidas por entrada arremessada) e o 2º time com mais entradas arremessadas, indicando um início de grande taxação do nossos braços.
Nossos próximos jogos são contra os Rays, com descanso na 5ª feira e retornamos para casa para pegar o White Sox e Mariners. Serão três duelos contra times com campanhas medianas até o momento, similares ao do Red Sox.
É possível que tenhamos o retorno de Bello, Giolito e possivelmente Kendricks, mas ainda não temos notícias de Yoshida. Não é esperado que Wong volte nestas séries, e ainda é cedo para saber se Grandal está pronto para pegar o lugar de Sabol.
E do lado dos prospectos, Roman Anthony bate na porta com força: carrega um OBP (vezes que chega em base por rebatida ou andada) de quase 40% e um SLG, índice de potência, de 0.488. Excelentes números que botam pressão em Casas, Rafaela e quem mais precisar de um tempinho na AAA para lembrar de como se rebate.
Com uma sequência acessível pela frente e nomes importantes prestes a voltar, o Red Sox tem a chance de ajustar o que precisa — especialmente com corredores em posição de anotar — e transformar estatísticas promissoras em vitórias concretas. O talento está lá, os sinais de potência também. Falta agora afinar o timing, acertar a mão no bastão com RISP e aliviar a carga do montinho. Se conseguir, esse time pode deixar de ser uma montanha-russa emocional e virar uma locomotiva em breve.

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