O Red Sox é uma dicotomia recente quando se trata de sucesso. É fato que é a franquia mais vencedora do século – São 4 canecos de World Series contra 3 dos Giants e Dodgers. No entanto, nas últimas 5 temporadas, o time ficou 3 vezes em último lugar na divisão, ou 5 vezes na última década. Neste último recorte temporal, alcançou a pós-temporada 4 vezes. Ou seja: tirando a temporada passada, em que o time conseguiu ser realmente medíocre, com o mesmo número de vitórias e derrotas, estamos acostumado ou a ter um time extremamente ruim, ou contamos com a presença de Boston na pós-temporada.

A pré-temporada deste ano foi bastante agitada. Tivemos a saída de alguns medalhões e a chegada de outros. Há quem defenda que o time melhorou. Outros dirão que o time está ainda mais suscetível a lesões e falta de experiência, dependendo de muitos novatos ao mesmo tempo. Afinal, o que podemos esperar do Red Sox para 2025? Uma aparição na pós temporada? O amargor de mais uma temporada fracassada? É o que vamos discutir neste post.

As grandes chegadas

Garrett Crochet – não foi barato, mas o time tem um jovem Ace pelo menos pelos próximos dois anos. Com 4 anos de experiência, o abridor #1 tem apenas 25 anos e já foi comparado em qualidade com ninguém menos que Chris Sale. Custou ao time 2 novatos de alto valor (C Kyle Teel e OF Branden Montgomery), mas esta troca serviu para ressignificar nossa pré-temporada e mostrar que o time está disposto a vencer. A preocupação agora é conseguir renovar o contrato, que ainda tem mais um ano de arbitragem antes dele virar agente livre e provavelmente receber um dos salários mais altos da história.

Alex Bregman – falando em salário alto, o GM Craig Breslow investiu alto neste agente livre. Recém premiado com a Gold Glove por seu trabalho na terceira base, sua chegada gerou mal-estar com nossa prata da casa, Rafael Devers, que não queria largar sua posição. Além disso, o salário individual foi acima do mercado – artifício para conseguir trazê-lo por um período mais curto, 3 anos. Independente dos custos, o cara vem para solidificar nossa defesa – já atuou como 2B e SS em outros momentos da carreira, oferecendo boa versatilidade. Além disso, é dono de um bastão potente que promete fazer estrago no Green Monster.

Apostando alto

Aroldis Chapman – O foguete cubano teve um duelo épico contra Devers uns anos atrás. Agora, a torcida espera que ele traga um novo tipo de alegria. Já em fim de carreira, em declínio de velocidade e nunca apresentando um bom controle, ele irá disputar a vaga de fechador com Hendricks. O sentimento geral é que o time teve um claro declínio na posição. Mas quando olhamos para os números do ano passado, vemos uma performance muito próxima entre estes nomes. Então conseguimos economizar algum dinheiro e, ao menos no papel, não perderemos desempenho.

Walker Buehler – Qual a versão de Buehler teremos? Pelo salário contratado, estamos apostando em um grande ano. Caso esta aposta não vingue, ao menos não estamos presos em um contrato ruim. Sem ter jogado em 2023 por conta da famosa cirurgia Tommy John e com um ano fraco em 2024, o pulo do gato aqui será se ele conseguir voltar aos níveis de 2018-2022, onde foi campeão, duas vezes all star e duas vezes finalista no Cy Young.

Aquisições que podem ajudar


Traycee Thompson – uma grata surpresa do Sprint Training, o irmão do Klay Thompson mostrou potência e disciplina no bastão. Num campo externo cheio de promessas e jogadores de perfil similar, ele será uma alternativa de estilo de jogo conforme a temporada avançar, principalmente se conseguir levar os bons resultados da pré-temporada para os jogos da Triple A.

As saídas que machucaram

Kenley Jensen – um líder de vestiário, destinado ao Hall da Fama como um dos maiores fechadores e que tinha encaixado bem no time nos dois últimos anos. Além disso, partiu para outro time para ganhar ligeiramente menos do que estamos pagando pelo seu substituto. Sua saída foi difícil de engolir, e há quem diga que o jogador ficou magoado pela imprensa negativa que recebeu quando abandonou o time no fim da temporada (quando estava na lista de machucados, diga-se de passagem) para retornar para Curaçao, sua terra natal. Fato é que perdemos nosso fechador.

Chris Martin – outra saída de um arremessador de relevo importante. Martin era efetivamente nosso plano B para fechador e perdê-lo junto com o plano A fez com que tivéssemos que apostar em fichas externas, sem muita coesão com o time ou treinadores. Se podemos afirmar que conseguimos repor o Jansen como fechador titular, não parece que tivemos o mesmo sucesso em termos um segundo fechador de confiança até então.

Tyler O’Neill – É verdade que o valor que O’Neill assinou com o Orioles foi (bem) mais alto que estávamos pagando nele – e que ele estaria efetivamente bloqueando outros jogadores de campo externo ou mesmo Devers na DH. Mas é impossível negar que seu desempenho ano passado foi ótimo e seu novo contrato foi merecido (e ouso até dizer, barato). Dói saber que perdemos ele de graça (poderíamos ter ganhado uma seleção de compensação no draft oferecendo uma quali offer como fizemos com Pivetta) e para um rival de divisão.

Quem pode fazer falta

Cam Booser – Dono de um nome peculiar um belo bigode, Booser fará falta como uma âncora sólida no Bullpen. Fora que ele seria um contrato bem barato de se manter – foi para o White Sox para ganhar 800k – 10% do que estamos pagando no Hendricks

Kyle Teel – Numa liga carente de catchers, Teel parece um dos grandes nomes da posição para a próxima década. Sua estreia já deve acontecer este ano, e sua qualidade poderia criar uma competição importante na posição, incentivando Wong a melhorar seu jogo.

Nick Pivetta – estou trazendo este nome mais de saudosismo – um arremessador errático mas com vários momentos de brilho, Nick sempre será uma opção valiosa para profundidade. Mas o valor pago pelo seu novo time – e a seleção compensatória que recebemos – mostra que sua partida foi uma decisão acertada. Ainda sim, especialmente neste início de temporada que temos 3 abridores lesionados, sua partida fará falta.

Campo interno – um infield muito melhor na defesa

3B Alex Bregman
2B Kristian Campbell
1B Triston Casas
SS Trevor Story
C Connor Wong

O campo interno do Red Sox é a área que mais evoluiu em 2025. A qualidade defensiva evoluiu de forma palpável com a chegada de um Gold Glove e a adição de uma prata da casa que brilha na defesa.

Story é uma incógnita por questões de saúde e sua resiliência será chave para mudar a trajetória de sua carreira com o time e solidificar o ataque e defesa do time. Entretanto, caso ele venha a se machucar, finalmente teremos profundidade de jogadores nesta posição carente desde a saída de Bogaerts.

Devers, embora não deva jogar muitos jogos na defesa, ainda poderá cobrir a terceira base em uma eventualidade. No entanto, agora que irá assumir o papel de DH titular, podemos ver seu corpo se adaptar para um rebatedor puro. Prevejo inclusive alguns jogos na primeira base como opção para colocá-lo em jogo. 

Romy Gonzalez e David Hamilton devem fechar nosso banco. Defensores versáteis, o primeiro tem mais valor no bastão enquanto o segundo, nas pernas. Serão boas opções para jogos apertados e lesões de curto prazo no time titular.

Ainda há dois jogadores que valem ser mencionados no plantel da AAA que serão úteis ao longo da temporada: Nick Sogard (INF) e Vaugh Grissom (2B)

A posição mais delicada é a primeira base. Contamos apenas com Triston Casas, sem banco ou opção nas ligas menores. Ano passado, ele passou parte da temporada machucado, o que gera alguma preocupação para os torcedores. No entanto, a falta de profundidade é o que me leva a acreditar que teremos Devers sendo utilizado nesta posição em algum momento, assim que o coração dele estiver mais calmo em ter perdido a vaga na 3B.

Já de catcher (recebedor), nosso titular ganhou voto de confiança do técnico e terá uma participação ainda maior. A profundidade envolverá novos nomes no time, como Narvaez, Sabol e Zavala, que também poderão ajuda na primeira base. Se você não os conhece, é porque nenhum deles tem muito histórico na MLB. Serão opções emergenciais e para descanso do Wong.

Campo externo – em time que está ganhando…

LF – Jarren Duran
CF – Cedanne Rafaela
RF – Wilyer Abreu

O campo externo não sofreu grandes alterações este ano e veremos a consolidação dos novatos do ano passado nas suas posições. Ano passado, estes jogadores tiveram performance avaliada como 2a melhor da MLB. Como banco, contamos com Rob Refsnyder no seu 4o ano com a equipe sendo uma opção sólida defensivamente. Ofensivamente, Masataka Yoshida deverá figurar mais vezes da defesa, uma vez que disputará tempo com Rafael Devers pela titularidade no DH. Por fim, Roman Anthony, atual 2o melhor prospecto da MLB, está pronto para assumir uma vaga caso alguém se machuque ou não performe bem na abertura da temporada.

Abridores – geração saúde manda lembranças

#1 Garrett Crochet
#2 Walker Buehler
#3 Tanner Houck
#4 Bryan Bello
#5 Lucas Giolito

Contamos com nomes fortes na posição, mas todos com históricos recentes de lesão (e alguns ainda se recuperando). Se no papel, podemos dizer que nossa a está muito melhor que ano passado, o sucesso dependerá na capacidade do time de prover alternativas para quando alguns destes jogadores estiverem fora.

E para isso, há nomes muito interessantes: Sean Newcomb terminou o ST com apenas 0.63 de ERA e 13 strikeouts em 14 entradas. Richard Fitts teve um bom desempenho quando jogou pelo time principal ano passado e também fez uma boa pré temporada, com ERA de 1.74 em 20 entradas.

Mas os dois melhores nomes de apoio são Kutter Crawford e Patrick Sandoval. O primeiro já é conhecido do torcedor e foi o arremessador que mais teve jogos iniciados e strikeouts do time ano passado. Ele começará o ano na lista de machucados, ainda se recuperando de um problema no joelho ano passado. Já o segundo foi contratado para dois anos e passa por uma longa recuperação após cirurgia em meados do ano passado. A expectativa de sua volta é após o All Star Break. Se ele conseguir voltar aos patamares de ’21 e ‘22, esta poderá ter sido uma contratação “zebra”.

Relevos

Nossos principais nomes serão:

Fechador – Aroldis Chapman
Fechador #2 – Justin Slaten
Fechador #2 – Liam Hendricks
Relevo ponte – Garret Whitlock
Pau pra toda obra – Cooper Criswell

Mesmo perdendo dois grandes nomes entre nossos arremessadores relevos, ainda temos jogadores de elite para segurar nossas vitórias. A história até agora é se Hendricks, voltando da famosa cirurgia Tommy John, conseguirá voltar ao desempenho de outrora. No spring training, todavia, mostrou-se ainda bastante enferrujado. 

Justin Slaten será o outro nome forte para colocar pressão no Aroldis Chapman e servirá como setup, aquele que arremessa na 8a entrada. Já Cooper Criswell servirá como relevo longo ou até mesmo abridor caso necessário.

Há outros nomes conhecidos: Bernardino, Winckowski, além de aquisições como Chris Murphy e Zack Kelly, que deverão figurar no nosso bullpen enquanto estiverem saudáveis. Mas ainda haverá espaço para nomes como Luis Guerrero, novato que jogou 10 entradas ano passado sem ceder corrida.

Projeções de quem entende

FanGraphs – 85-77, e 5o mais bem cotado para ganhar a World Series.
Castrovince (reporter da MLB) – Vencedor da divisão AL East
NBC Sports – 93-69, Vencedor da AL East
Baseball America – 3o lugar na AL East, avançando com Wild Card
Davenport – 84-78, 3o lugar na AL East, sem conseguir avançar para os playoffs
USA Today – 83-79, 4o lugar e fora dos Playoffs
RotoChamp – 82-80, último lugar
PECOTA – 80-82, último lugar

Há muitas incertezas sobre o plantel do Red Sox, em especial com a saúde dos jogadores. O time como um todo tem histórico pesado de lesão, ou então dependerá de jogadores novatos, o que é sempre uma incógnita. Em função disso, vemos uma clara discordância entre os maiores sites de estatística e projeção. Tem quem aponte Boston como uma das favoritas para World Series, e tem quem aponte para o 4o último lugar da divisão em 6 anos.

Conclusão

Uma coisa é certa: 2025 será um ano de roer unhas e se animar com o time novamente. Após uma boa pré-temporada, o Red Sox terá uma janela curta para conseguir aproveitar os medalhões que trouxe enquanto aproveita os primeiros anos dos altos prospectos do time. Se este time estiver bem encaminhado até o All-Star, devemos ver movimentações ainda mais agressivas para tampar alguns buracos importantes. Se passar por alguma tragédia até lá, temos diversas peças de alto valor que podem ser trocadas para algum concorrente, o que ajudaria montar um time ainda melhor para ano que vem.

Na opinião de quem vos escreve, o GM atual Craig Breslow tem se mostrado capaz de trabalhar com a demanda dos donos, mover prospectos sem depredar a base e convencer grandes nomes da relevância da franquia. O futuro está em boas mãos. Agora é a hora de sofrer.

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